O tempo está suspenso por um fio, demasiado sensível, brutalmente fino, incolor. A sonoridade que me rodeia prende-se com os passarinhos que acasalam na minha janela. Pergunto-me, em silêncio, o que não é dito tem menos ou mais força?, como será o meu último instante nesta casa. Afasto o pensamento. Há demasiadas coisas ainda para viver, há demasiadas conversas para ter, demasiados copos para brindar, demasiados amigos para fazer.
Acendo um cigarro. Deixo que o fumo trepe as paredes do céu, se espalhe pelos metros quadrados deste palco.
Há personagens que pairam por aqui, vejo-as, sinto-lhes o cheiro, abraço-as tropegamente. Há qualquer coisa de estranho nesta peça. Não está escrita, tem um público sublime, é um enleio de perspectivas, de ambições e meros instantes que se eternerizarão em menos de nada. Há diálogos a meio, interrompidos por qualquer coisa alheia ao espectáculo. Onde estou? E porque vim aqui parar? Alheei-me faz tempo das ruas de outrora, das gentes vizinhas. Há um mundo aqui fora.
Há um mundo aqui fora.
Novamente o pensamento. O maldito pensamento que me dispara o coração e me deixa confusa.
- Mas afinal onde é que eu estou? E quem és tu que tens uma franja e te passeias dona e senhora do mundo como se de uma Rainha te tratasses? Vês melhor agora que te tiraram a pala dos olhos?
- Sim, vejo muito melhor. Agora enxergo tudo. Há claridade nos montes, há enredos nas valas, há vida nas ruas. Há algo em ti que mudou em mim.
- Mas tu és eu?! Eu sou tu? Desde quando? Explica-me lá isso com calminha sff.
- Calma... tens a vida à tua frente, não queiras que as respostas se adiantem às perguntas, não queiras que o caminho esteja traçado mesmo antes do aquecimento. Limita-te a ficares onde estás e deixa-me agora tomar as rédeas da situação. Vou começar por umas alemãs que são mais rijas e não nos deixarão fugir desta primeira etapa... talvez depois estejamos habituadas e regradas e aí dê para aliviar... não sei. Logo vejo. Por agora, desfruta esse teu malévolo cigarro e deixa-te de questões filosóficas para o sentido da vida e das relações humanas. Não deixes que perguntas se sucedam às respostas. Aprende a calma e vive a serenidade dos pássaros. Voa – não és um pássaro enjaulado.
- Mas... espera! Não te vás embora! Tenho medo! Tenho medo...
- Não tenhas! Lembra-te que “as lagartixas cheiram a erva”.
Sonho estranho.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
derby
Há dias em que a Natureza desafia a Humanidade e eu gosto desse jogo.
A Primavera quer dar o ar da sua graça, as crianças brincam despreocupadas por entre as ruas centenárias, os velhos passeam as bengalas, os adolescentes namoriscam entre os bancos dos jardins, os casacões de Inverno cinzentões dão lugar a jaquetas mais leves e frescas... há no ar um cheiro eminente, é o perfume das flores que vão desabrochar em pouco, há o ar leve dos raios de sol, há uma vida que quer saltar para fora dos gorros, dos cachecóis, das luvas.
Hoje li um livro no miradouro do jardim de Calixto e Melebea, deixei que o sol me tocasse como não ousava há demasiado tempo, li um livro ao sol. Falei com um velhinho daqueles que penso só exixtirem em Espanha, e talvez seja presunção minha, e passei pelas ruas que ganham novas cores... hoje fui Princesa num jardim, fui dona de casa frente à tábua de engomar, fui aluna semi aplicada, fui teenager em busaca dos últimos saldos fantásticos, fui responsável e vim deitar-me cedo. Hoje foi mais um dia em que
Há dias em que a Natureza desafia a Humanidade e eu gosto desse jogo.
A Primavera quer dar o ar da sua graça, as crianças brincam despreocupadas por entre as ruas centenárias, os velhos passeam as bengalas, os adolescentes namoriscam entre os bancos dos jardins, os casacões de Inverno cinzentões dão lugar a jaquetas mais leves e frescas... há no ar um cheiro eminente, é o perfume das flores que vão desabrochar em pouco, há o ar leve dos raios de sol, há uma vida que quer saltar para fora dos gorros, dos cachecóis, das luvas.
Hoje li um livro no miradouro do jardim de Calixto e Melebea, deixei que o sol me tocasse como não ousava há demasiado tempo, li um livro ao sol. Falei com um velhinho daqueles que penso só exixtirem em Espanha, e talvez seja presunção minha, e passei pelas ruas que ganham novas cores... hoje fui Princesa num jardim, fui dona de casa frente à tábua de engomar, fui aluna semi aplicada, fui teenager em busaca dos últimos saldos fantásticos, fui responsável e vim deitar-me cedo. Hoje foi mais um dia em que
Há dias em que a Natureza desafia a Humanidade e eu gosto desse jogo.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Tenho um problema – um sério problema.
Por norma, quando me aproximo das últimas páginas de um livro tenho tendência para ler calmamante as últimaas linhas... não quero nunca que chegue ao fim a estória das pessoas que partilharam o meu dia-a-dia dos últimos tempos. E a questão é sempre a se não fui que partilhei o meu dia-a-dia com elas?...
Mas tenho mais, a verdade é que sou uma pessoa com demasiados problemas quando acaba de ler um livro – este último que li, diria a Sra minha Mãe, que é um aguinha com açucar, a estória de um grupo de amigos, por sinal actores, em que a personagem principal escreve numa coluna de aconsellhamento numa revista de adolescentes com as hormonas no céu da boca. Escolhi o livro ao acaso de uma prateleira de minha casa, verdadeiramente ao acaso veio até Salamanca e custou-me bastante passar do Equador para uma tradução manhosa de ‘Pede-me o que Quiseres’. (A tradução é tão má, tão má que para terem uma noção a tradutora dá-se ao luxo de fazer 56 notas de rodapé numas míseras 254 páginas, um escândalo, diria eu!) Chegando ao fim do livro fico sem saber qual será o rumo da Rosie, quero acreditar que é o melhor de todos, ou não seria eu a pessoa demasiado sentimental, como me acusa a Constança...
Ia-vos a falar dos problemas e sofri um pequeno desvio, retomemos: tenho vários problemas quando acabo de ler um livro, o primeiro é sempre e agora? Agora o que é que é suposto eu fazer depois de ler um livro? Provavelmente nada, acho que me posso dar ao luxo de não fazer mais do que continuar esparramada no sofá a debater-me sobre as eventuais questões que o livro me tenha suscitado. Mas depois segue-se e que livro vou ler agora? E levanto-me e quedo-me em frente à minha mini biblioteca, e a única coisa que me ocorre é que ‘A Morte de Ricardo Reis’ me olha fulminantemente – a voz do meu Pai ecoa-me na cabeça como uma acusação fortíssima por detestar Saramago e nunca ter lido o mais brilhante dos seus livros. Que me perdoe o Sr. Meu Pai e todos aqueles que gostam de Saramago, mas eu detesto Saramago e não me encontro disposta a gostar do senhor e das suas obras literárias. Deve ser falta de maturidade litarária.
E depois tenho tantos mais problemas quanto as páginas dos livros – e sei que um dia vou escrever um livro, e espero sinceramente que nesse dia, ou no dia em que ele for publicado, não deixe nenhuma criaturinha com insónias e questões dogmaticas por resolver num ponto qaualquer do globo.
Vai para a cama Maria, são horas de estares a dormir!
Não me esqueci do estilhaço sobre o ‘Equador’
Mas tenho mais, a verdade é que sou uma pessoa com demasiados problemas quando acaba de ler um livro – este último que li, diria a Sra minha Mãe, que é um aguinha com açucar, a estória de um grupo de amigos, por sinal actores, em que a personagem principal escreve numa coluna de aconsellhamento numa revista de adolescentes com as hormonas no céu da boca. Escolhi o livro ao acaso de uma prateleira de minha casa, verdadeiramente ao acaso veio até Salamanca e custou-me bastante passar do Equador para uma tradução manhosa de ‘Pede-me o que Quiseres’. (A tradução é tão má, tão má que para terem uma noção a tradutora dá-se ao luxo de fazer 56 notas de rodapé numas míseras 254 páginas, um escândalo, diria eu!) Chegando ao fim do livro fico sem saber qual será o rumo da Rosie, quero acreditar que é o melhor de todos, ou não seria eu a pessoa demasiado sentimental, como me acusa a Constança...
Ia-vos a falar dos problemas e sofri um pequeno desvio, retomemos: tenho vários problemas quando acabo de ler um livro, o primeiro é sempre e agora? Agora o que é que é suposto eu fazer depois de ler um livro? Provavelmente nada, acho que me posso dar ao luxo de não fazer mais do que continuar esparramada no sofá a debater-me sobre as eventuais questões que o livro me tenha suscitado. Mas depois segue-se e que livro vou ler agora? E levanto-me e quedo-me em frente à minha mini biblioteca, e a única coisa que me ocorre é que ‘A Morte de Ricardo Reis’ me olha fulminantemente – a voz do meu Pai ecoa-me na cabeça como uma acusação fortíssima por detestar Saramago e nunca ter lido o mais brilhante dos seus livros. Que me perdoe o Sr. Meu Pai e todos aqueles que gostam de Saramago, mas eu detesto Saramago e não me encontro disposta a gostar do senhor e das suas obras literárias. Deve ser falta de maturidade litarária.
E depois tenho tantos mais problemas quanto as páginas dos livros – e sei que um dia vou escrever um livro, e espero sinceramente que nesse dia, ou no dia em que ele for publicado, não deixe nenhuma criaturinha com insónias e questões dogmaticas por resolver num ponto qaualquer do globo.
Vai para a cama Maria, são horas de estares a dormir!
Não me esqueci do estilhaço sobre o ‘Equador’
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
In This City - Iglu & Hartly
You came in to my life
You cannot separate yourself
You came in to my life
You cannot separate yourself
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
Close those doors
Close those doors now
Now, now, just keep em open
Keep em open
Yea, keep em open
I'll keep on, keep keep on going
Taking it in so, so heavy
Take it easy son, this aint so deadly
Got keep on, gotta go on, gotta go on
Take it all with what we've done
Gotta push it push it push it
To the top of the building
Even when no one is feeling
It might bother you
Don't let it
If these people just don't get it
They can't express it
They won't accept it
She said it's okay that they may never give you that credit.
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
I've been down here
Down these roads
People pass through
Some stay some go
Standing here broke
Not a penny to my name
But she says she loves me all the same
I try my best
And you do to
And all you want is something you can move to
Everybody's gotta get their kicks somewhere
Everybody gotta fit in somewhere
There's, an open road
And I'm traveling down
Don't know where to go
But I lock and load
Shoot that sky till the moon explode
Moon explode
Now we're laying in a field
White flowers on our backs
Talking bout home
But we can't go back
I guess that's why we left
So we could take a step
Keep moving and forget the rest.
You came in to my life
You cannot separate yourself
You came in to my life
You cannot separate yourself
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city
You cannot separate yourself
You came in to my life
You cannot separate yourself
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
Close those doors
Close those doors now
Now, now, just keep em open
Keep em open
Yea, keep em open
I'll keep on, keep keep on going
Taking it in so, so heavy
Take it easy son, this aint so deadly
Got keep on, gotta go on, gotta go on
Take it all with what we've done
Gotta push it push it push it
To the top of the building
Even when no one is feeling
It might bother you
Don't let it
If these people just don't get it
They can't express it
They won't accept it
She said it's okay that they may never give you that credit.
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
I've been down here
Down these roads
People pass through
Some stay some go
Standing here broke
Not a penny to my name
But she says she loves me all the same
I try my best
And you do to
And all you want is something you can move to
Everybody's gotta get their kicks somewhere
Everybody gotta fit in somewhere
There's, an open road
And I'm traveling down
Don't know where to go
But I lock and load
Shoot that sky till the moon explode
Moon explode
Now we're laying in a field
White flowers on our backs
Talking bout home
But we can't go back
I guess that's why we left
So we could take a step
Keep moving and forget the rest.
You came in to my life
You cannot separate yourself
You came in to my life
You cannot separate yourself
(Chorus x2)
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city,
In this city
And I found that round here
In this city
That I won't disappear
In this city
I got nothing to fear
In this city
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Hoje é dia de Meninas!
Finalmente a febre já me abandonou e eu já consigo dormir uma noite descansada sem ter que acordar para me dopar...
Hoje é dia de meninas no Chalett... mal posso esperar pelo date que vou ter com a fauna que habita comigo!
Filmezinho, pica daqui e dali e conversas várias!
Como me encanta viver sozinha...
Saudações Salmantinas, minha gente.
Hoje é dia de meninas no Chalett... mal posso esperar pelo date que vou ter com a fauna que habita comigo!
Filmezinho, pica daqui e dali e conversas várias!
Como me encanta viver sozinha...
Saudações Salmantinas, minha gente.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Para nós, para os vizinhos e para quem queira!!!
A menina Constancinha é uma expert na cozinha... quanto a isso não é novidade para ninguém! Por estes dias temos tido a presença do alter ego do seu Pito e do próprio do Pito – coisa demasiado grande para uma casa tão pequena! Aliás! Ainda bem que o bom tempo está aí e dá para abrir as janelas, acredito que a casa rebentaria com tanta auto-estima!
Enfim, ia eu a dizer que a Constancinha é uma expert na cozinha, o seu único probleminha são mesmo as quantidades! Pois que hoje decidiu presentear o seu mais que tudo com umas fantásticas (suponho) costeletas de borrego e batatas no forno... o mais certo será ficarmos a comer rolo de carne nos próximos meses e batatas com batatas nos próximos anos!
Para além das costoletas e das batatas há também um novo habitante neste lar – o Jarbas! O Jarbas é um gatinho doiradinho, da lojinha do chinês aqui perto de casa... o Jarbas tem lugar à mesa e tudo, para além que faz as delícias dos banquetes que temos comido nos últimos tempos! Só tem uma pequena, muito grande, particularidade: é que o seu braço esquerdo tem um tique nervoso e abana ao mais pequeno movimento, pois que neste pequeno movimento ele emite um som igual ao dos relógios: TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC. Um desespero pegado. Não fosse ter sido um presente do Filipe e corria sérios riscos de ser ele a estrear o saguão.
Como podem ver, por aqui a vida corre o seu rumo normal... boa disposição, aventuras e estilhaços para vos deliciar!
Se alguém quiser umas costoletinhas e umas batatinhas, sabem onde nos encontrar!
Enfim, ia eu a dizer que a Constancinha é uma expert na cozinha, o seu único probleminha são mesmo as quantidades! Pois que hoje decidiu presentear o seu mais que tudo com umas fantásticas (suponho) costeletas de borrego e batatas no forno... o mais certo será ficarmos a comer rolo de carne nos próximos meses e batatas com batatas nos próximos anos!
Para além das costoletas e das batatas há também um novo habitante neste lar – o Jarbas! O Jarbas é um gatinho doiradinho, da lojinha do chinês aqui perto de casa... o Jarbas tem lugar à mesa e tudo, para além que faz as delícias dos banquetes que temos comido nos últimos tempos! Só tem uma pequena, muito grande, particularidade: é que o seu braço esquerdo tem um tique nervoso e abana ao mais pequeno movimento, pois que neste pequeno movimento ele emite um som igual ao dos relógios: TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC. Um desespero pegado. Não fosse ter sido um presente do Filipe e corria sérios riscos de ser ele a estrear o saguão.
Como podem ver, por aqui a vida corre o seu rumo normal... boa disposição, aventuras e estilhaços para vos deliciar!
Se alguém quiser umas costoletinhas e umas batatinhas, sabem onde nos encontrar!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Sininho!!! Aqui e hoje... pode ser?
Hoje sinto-me pequenina, pequenina nesta cidade pequenina, nesta minha casa pequenina... pequenina num mundo que abarca mais do que eu posso imaginar, pequenina num caminho que escolhi e que sei que vai doer, pequenina nos meus pensamentos, nas minhas escolhas, nas minhas visões maldizentes do mundo.
Quero voar para perto do Peter Pan, ‘na segunda estrela à direita, sempre em frente até ao amanhecer’ – vens?
Hoje estou doente e só queria que estivesses aqui, Sininho!
Quero voar para perto do Peter Pan, ‘na segunda estrela à direita, sempre em frente até ao amanhecer’ – vens?
Hoje estou doente e só queria que estivesses aqui, Sininho!
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